PRINCÍPIOS - parte 01
A maioria das pessoas se adapta imediatamente ao uso dos óculos de pinholes enquanto outros precisam de um tempo antes de sentirem-se confortáveis com eles. Isto é similar à adaptação ao uso dos óculos bifocais, quando precisamos nos acostumar ao fato de que a imagem parece saltar quando movemos a vista entre a parte superior e a inferior da lente. Estes saltos também podem acontecer com os pinholes.
Difração. O salto nos óculos bifocais é devido à refração diferente, ou seja, à mudança de direção da luz na passagem entre os segmentos superior e inferior dos óculos. Nos pinholes, o salto é devido à
difração, que é a mudança da direção da luz quando da sua passagem próxima da extremidade de um objeto. Isto nos acontece sempre, em nossa vida diária, mas prestamos pouca atenção. Por exemplo, quando a luz é observada na neblina, as minúsculas partículas de água causam difração na luz o que dá um efeito de halo ao redor da fonte luminosa.
Para observar este fenômeno dos pinholes, cubra um olho e olhe para um objeto pequeno e distante, pelo centro de um buraco. Então vire sua cabeça e deixe o objeto se mover para o próximo buraco. Você notará três coisas:
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O objeto obscurece quando se aproxima da extremidade do buraco;
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Se você virar sua cabeça rapidamente, o objeto parece saltar do primeiro buraco para o segundo;
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Se você virar sua cabeça lentamente, você verá a imagem em dobro que é criada quando o objeto estiver a meio caminho entre os buracos. Uma metade da imagem em dobro estará passando por um pinhole e a outra metade pelo buraco adjacente. Em outras palavras, você verá o salto em movimento.
Na verdade o normal é imaginar que o objeto não será visível quando você enxerga a parte sólida dos óculos, mas na realidade
você pode ver duas imagens devido à difração da luz.
O diagrama abaixo mostra de forma exagerada como isto acontece. Se você imaginar uma bola passando na sua frente, da esquerda para a direita. Inicialmente ela será vista:
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Corretamente no ponto A.
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Quando alcançar o ponto C, parecerá estar no ponto B por estar sendo vista pelo primeiro furo e no ponto D por estar sendo vista pelo segundo furo.
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No ponto E, estará uma vez mais em seu ponto correto. As linhas sólidas que vêm do ponto C indicam o caminho atual da luz.
As linhas pontilhadas que vêm dos pontos B e D indicam onde o olho acredita que o objeto está. Este processo cria uma imagem em dobro. O salto acontece quando a primeira metade da imagem em dobro é substituída pela segunda.
Para algumas pessoas, particularmente para aquelas com pequeno erro refrativo, estes fenômenos são quase imperceptíveis. Porém, quanto maior for o erro refrativo, mais óbvias estas coisas podem parecer. O furinho elimina os raios de luz fora do seu diâmetro, mas se o erro refrativo for bastante grande, os raios que atravessam a
pequena abertura ainda podem contribuir significativamente para o borrão. Na realidade, por causa da pronunciada imagem em dobro e dos borrões que não podem ser superados, pessoas que têm mais de 6 graus de miopia, hipermetropia ou astigmatismo podem achar que os óculos de pinhole normais, não são práticos. Porém, isto é até certo ponto dependente da distância do objeto visto.
Uma pessoa com miopia e muito erro refrativo pode achar os óculos de pinholes úteis para leitura ou para o trabalho com computador, mas não para o uso à distância. Uma pessoa com hipermetropia e muito erro refrativo
pode achar o oposto; os óculos de pinholes são melhores para distância que para perto.
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